Orientação da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos

Procedimentos a adotar na rede predial de edifícios no regresso à normalidade, após encerramento durante o estado de emergência decorrente da pandemia COVID-19



Durante um período de encerramento de edifícios como escolas, hotéis, ginásios, clínicas, estabelecimentos comerciais e de serviços, empresas e indústrias, podem ocorrer alterações na qualidade da água estagnada na tubagem devido à perda de desinfetante residual e ao contacto com os materiais da rede predial. Na retoma da atividade é importante que, antes da abertura dos edifícios, o responsável pela manutenção dos mesmos garanta a implementação de um conjunto de boas práticas na limpeza e higienização da rede de água fria e da rede de água quente, de modo a prevenir alterações da qualidade da água fornecida pela rede pública e a proliferação da Legionella, entre outros microrganismos, principalmente em sistemas prediais de grande dimensão. Para o efeito, a ERSAR recomenda como medidas de proteção da saúde dos consumidores do sistema predial: 1. Realizar descargas na rede predial para renovar a água nas tubagens de água quente e de água fria, abrindo todas as torneiras da cozinha, dos chuveiros e lavatórios, durante 2 a 5 minutos, de uma forma sequencial, dependendo da dimensão da rede, e fazendo um mínimo de duas descargas em cada autoclismo; 2. Assegurar que os reservatórios e/ou termoacumuladores de água quente são esvaziados. Em alternativa, elevar a temperatura no equipamento a 70oC, pelo período de uma ou duas horas antes da sua colocação em funcionamento, de modo a permitir uma temperatura mínima de 50oC em qualquer ponto da rede de água quente e nomeadamente nos pontos de extremidade e no circuito de retorno quando existe; 3. Efetuar a limpeza e higienização de reservatórios de água, se existentes. Sobre o assunto pode ser consultada a Recomendação ERSAR n.o1/2018, publicada no sítio da ERSAR na internet. 4. Verificar o correto funcionamento de válvulas de segurança, válvulas redutoras de pressão e vasos de expansão; 5. Desmontar e limpar os filtros existentes nas torneiras e chuveiros para a higienização das peças, lavando-as com água e detergente e, por fim, deixando-as mergulhadas durante 30 minutos em água com lixívia comercial diluída a 0,05 % ou 0,1 % de cloro ativo. Por exemplo, a partir de uma lixivia com hipoclorito de sódio a 3 % de cloro ativo, pode usar cerca de 30 mL de lixivia para um litro de água. Algumas peças poderão ser desinfetadas com álcool etílico a 70%; 6. Avaliar o risco de proliferação de Legionella na água da rede, principalmente de centros comerciais, hotéis, ginásios e estabelecimentos onde se prestam cuidados de saúde. Se necessário, fazer o despiste da análise de Legionella na água selecionando alguns pontos críticos do sistema predial. Sobre esta avaliação do risco recomenda-se a leitura do Guia "Prevenção e controlo de Legionella nos sistemas de água", da Comissão Sectorial para a Água (CS04) e do documento "Prevenção e Controlo da Legionella em Estabelecimentos após um período de interrupção parcial ou total do seu funcionamento" publicado recentemente pelo Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo I.P.; 7. Por fim, avaliar a eficácia da limpeza e higienização da rede, principalmente em grandes edifícios ou edifícios considerados críticos (como escolas, clinicas, centros comerciais, ...), efetuando a análise de alguns parâmetros indicadores na água, como pH, condutividade e desinfetante residual. Em caso de dúvida, solicitar o apoio da entidade gestora do sistema público de abastecimento de água ou da autoridade de saúde local. O Presidente da ERSAR Orlando Borges Esta orientação foi elaborada pela ERSAR com a colaboração da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações prediais (ANQIP).

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